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Escala 5x2 pode agravar escassez de trabalhadores em setores como os de supermercados e construção
A aprovação da PEC que substitui a escala 6x1 pela 5x2, com redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, pode aprofundar a falta de mão de obra em setores como supermercados e construção civil, além de elevar os custos para as empresas.
O Senado brasileiro aprovou recentemente uma mudança importante nas regras de trabalho do país: a extinção da escala 6x1 — em que o trabalhador cumpre seis dias de trabalho para cada dia de descanso — e sua substituição pela escala 5x2, com dois dias de folga por semana. Além disso, a jornada semanal máxima passa de 44 para 40 horas, sem que o salário dos trabalhadores seja reduzido. A medida, aprovada por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), seguiu para promulgação e deve entrar em vigor nos próximos meses.
Para muitos trabalhadores, a mudança representa um avanço significativo na qualidade de vida, garantindo mais tempo com a família e para o descanso. No entanto, para setores que dependem intensamente de mão de obra — como supermercados e construção civil —, a nova regra chega em um momento já delicado, em que há grande dificuldade para preencher vagas em aberto.
Somente no Estado de São Paulo, o maior mercado de trabalho do país, havia cerca de 35 mil vagas não preenchidas nos supermercados. Na construção civil, esse déficit ultrapassava 100 mil postos de trabalho no meio do ano, segundo o Sinduscon-SP, entidade que representa as construtoras. Com a nova escala, a tendência é que esse rombo aumente ainda mais.
Segundo especialistas, para manter o mesmo ritmo de produção com menos horas disponíveis de trabalho, as empresas que operam na escala 6x1 precisariam contratar, em teoria, cerca de 16,7% mais trabalhadores. Além disso, o custo da mão de obra deve subir aproximadamente 9% por hora trabalhada — o que representa um peso financeiro considerável para os empregadores.
O problema é que esse aumento de custo pode ter o efeito contrário ao esperado. Em vez de contratar mais funcionários, as empresas podem optar por produzir menos, recorrer à automação ou, pior, à informalidade — contratando trabalhadores sem registro em carteira para driblar os novos custos. Ou seja, uma mudança pensada para proteger o trabalhador pode acabar reduzindo o número de empregos formais no país.
Diante de um cenário tão complexo, é fundamental que tanto trabalhadores quanto empregadores entendam seus direitos e obrigações diante das novas regras. Buscar orientação jurídica especializada em Direito do Trabalho é essencial para navegar com segurança por essas mudanças e garantir que seus interesses sejam devidamente protegidos.
#DireitoDoTrabalho #Escala5x2 #ReduçãoDeJornada #RelaçõesTrabalhistas #CLT
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