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Escala 5x2 e jornada de 40 horas semanais podem acelerar a automação das empresas do varejo

19 de out. de 2026Tempo de leitura: 2 min

A aprovação da PEC que muda a escala de trabalho para 5x2 e reduz a jornada para 40 horas semanais deve acelerar a substituição de trabalhadores por máquinas de autoatendimento no varejo, com potencial redução de custos de até 65% para os empregadores.

O Brasil está prestes a viver uma transformação importante nas relações de trabalho no comércio. Com a aprovação, pelo Senado, da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que muda a escala de trabalho de 6x1 (seis dias trabalhados, um de folga) para 5x2 (cinco dias trabalhados, dois de folga) e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas — sem redução de salário —, muitas empresas do varejo já estão buscando alternativas para compensar o aumento nos custos com pessoal. A principal aposta? A automação, especialmente por meio das famosas máquinas de autoatendimento, os chamados self-checkouts, aqueles caixas em que o próprio cliente registra e paga suas compras.

A demanda por esses equipamentos já estava crescendo antes mesmo da PEC ser aprovada. A indústria Laurenti Elgin, de Diadema (SP), que domina 85% do mercado de automação para supermercados e atacados no Brasil, dobrou sua produção: eram 800 unidades por mês no ano passado; hoje são 1,6 mil. A empresa chegou a ampliar sua fábrica de 2 mil para 8 mil metros quadrados e contratou 89 novos funcionários em 2024. Segundo o diretor comercial da empresa, Luis Fernando Laurenti, a escassez de trabalhadores dispostos a atuar nas escalas tradicionais do varejo já impulsionava essa busca por automação — e a nova legislação deve acelerar ainda mais esse movimento.

Do ponto de vista financeiro, a troca pode ser bastante vantajosa para os empregadores. Os cálculos apresentados pela própria empresa fabricante indicam que substituir quatro caixas tradicionais por quatro self-checkouts pode reduzir os custos trabalhistas em quase 65%. Isso porque, além do salário, as empresas arcam com encargos como férias, décimo terceiro, FGTS e outros direitos previstos em lei. Com a nova jornada, esses custos tendem a aumentar, tornando a máquina ainda mais atrativa economicamente. Especialistas do setor, como Eduardo Terra, do Instituto Retail Think Tank, confirmam essa tendência: a tecnologia está ficando mais barata enquanto o custo da mão de obra sobe.

Para os trabalhadores do comércio, esse cenário acende um alerta importante. A redução de jornada é uma conquista que visa melhorar a qualidade de vida, mas pode vir acompanhada de demissões e reestruturações nas empresas. Quem for afetado por dispensas, mudanças de função ou alterações nas condições de trabalho tem direitos garantidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) que precisam ser respeitados. Diante dessas mudanças, contar com a orientação de um advogado especializado em Direito do Trabalho é fundamental para entender seus direitos e agir da melhor forma possível.

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