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Produtora de sal não apresenta cartões de ponto e terá de pagar horas extras a auxiliar de escritório
Uma produtora de sal foi condenada a pagar horas extras a uma auxiliar de escritório por não apresentar os cartões de ponto da trabalhadora, o que levou a Justiça do Trabalho a presumir que as horas extras eram devidas.
Uma produtora de sal foi condenada pela Justiça do Trabalho a pagar horas extras a uma ex-funcionária que atuava como auxiliar de escritório. O motivo da condenação pode surpreender muita gente: a empresa simplesmente não apresentou os cartões de ponto da trabalhadora durante o processo judicial. Esse detalhe, aparentemente simples, teve um peso enorme na decisão final.
No direito trabalhista brasileiro, o cartão de ponto é o principal documento que registra a jornada de trabalho de um empregado — ou seja, os horários de entrada, saída e intervalos ao longo do dia. Quando uma empresa não guarda ou não apresenta esse registro, ela perde a capacidade de provar que o trabalhador não fez horas além do horário normal. É como tentar provar algo sem ter nenhuma evidência.
A lei é clara quanto a isso: empresas com mais de 20 empregados são obrigadas a controlar a jornada de trabalho de seus funcionários. Quando não cumprem essa obrigação, a Justiça aplica uma regra chamada "inversão do ônus da prova". Na prática, isso significa que passa a ser responsabilidade da empresa provar que as horas extras não foram feitas — e, sem os cartões de ponto, isso se torna praticamente impossível.
Neste caso, sem os documentos necessários, o juiz considerou verdadeiras as afirmações da auxiliar de escritório de que ela trabalhava além do horário permitido por lei. Com base nas informações fornecidas pela própria trabalhadora, a empresa foi condenada a pagar todas as horas extras devidas, acrescidas dos encargos legais, como o adicional de no mínimo 50% sobre o valor da hora normal, conforme determina a Constituição Federal.
Essa situação é mais comum do que se imagina no ambiente de trabalho brasileiro. Muitas empresas deixam de registrar corretamente a jornada dos funcionários — seja por descuido, seja de forma intencional — e acabam expostas a condenações trabalhistas justamente por isso. Para o trabalhador, conhecer esse direito é fundamental: guardar registros como mensagens, e-mails ou qualquer prova que indique o horário real de trabalho pode fazer toda a diferença em uma eventual disputa judicial.
Se você trabalha ou já trabalhou em condições semelhantes — fazendo horas além do combinado sem receber por isso —, saiba que a lei está do seu lado. Buscar a orientação de um advogado especializado em Direito do Trabalho é o primeiro e mais importante passo para entender seus direitos e garantir que você receba tudo aquilo a que faz jus.
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