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Em caso inédito, STJ debate usucapião de nome de domínio na internet

19 de out. de 2026Tempo de leitura: 2 min

O Superior Tribunal de Justiça analisa, pela primeira vez, se é possível adquirir a propriedade de um endereço eletrônico (domínio de internet) por meio de usucapião — instituto jurídico que permite reconhecer a posse prolongada de um bem como propriedade.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) está analisando, pela primeira vez em sua história, uma questão absolutamente nova: é possível que uma empresa ou pessoa adquira a propriedade de um endereço de internet — o chamado "nome de domínio", como www.seusite.com.br — por meio de usucapião? A usucapião é um instituto do direito brasileiro que permite que alguém que usa um bem de forma contínua, pacífica e por determinado período de tempo seja reconhecido legalmente como seu dono. Até então, esse mecanismo era aplicado principalmente a imóveis e bens físicos, mas o caso em julgamento abre uma discussão completamente nova no mundo digital.

O caso concreto envolve a empresa Perrotti Partners, que reivindica a propriedade do domínio www.perrotti.com.br. Segundo a empresa, ela utilizou esse endereço por mais de cinco anos e pagou as taxas de registro, mas o domínio está formalmente vinculado a outra empresa — a SI Brasil Ltda. A Perrotti Partners argumenta que esse uso prolongado deveria ser suficiente para que a Justiça lhe reconhecesse a propriedade, assim como acontece com imóveis em casos de usucapião tradicional.

Até o momento, apenas o relator do caso, o desembargador Luís Carlos Gambogi, apresentou seu voto — e ele foi contrário ao pedido. Para ele, o nome de domínio não é um bem passível de posse no sentido jurídico tradicional: embora tenha valor econômico, não se equipara a um imóvel ou bem físico sobre o qual se possa exercer posse independente. Além disso, o sistema de registro de domínios no Brasil funciona por ordem de chegada e sob regras administrativas próprias, o que, segundo o relator, afasta a possibilidade de usucapião. O julgamento foi suspenso para que a ministra Isabel Gallotti possa analisar melhor o tema antes de votar.

Essa discussão é relevante para empresas e empreendedores que dependem de sua presença digital. Disputas por nomes de domínio podem ter grande impacto nos negócios, e as regras que vão surgir desse julgamento histórico afetarão todo o mercado. Diante de conflitos envolvendo propriedade digital, marca, nome fantasia ou qualquer bem imaterial, contar com orientação jurídica especializada pode ser a diferença entre perder ou garantir um ativo valioso para o seu negócio.

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