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Paciente que obteve restituição por erro em cirurgia não pode exigir custeio de nova operação
O Superior Tribunal de Justiça decidiu que um paciente que já recebeu de volta o valor pago por uma cirurgia malsucedida não pode exigir, ao mesmo tempo, que os profissionais custeiem um novo procedimento.
Imagine que você pagou por uma cirurgia, o procedimento deu errado e você decidiu acionar a Justiça. O tribunal reconheceu a falha dos profissionais e determinou que eles devolvessem o dinheiro que você pagou. Até aí, parece justo. Mas e se, além da devolução, você ainda quisesse que esses mesmos profissionais pagassem por uma nova cirurgia para corrigir o problema? É exatamente essa situação que chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), a mais alta corte brasileira para questões de direito privado.
O caso envolveu um paciente e dois cirurgiões-dentistas. Após um erro no procedimento original, a Justiça de segunda instância havia condenado os profissionais não só a devolver o valor pago, mas também a custear uma nova operação para o paciente. Os dentistas recorreram, e o caso chegou ao STJ para uma definição final.
A 3ª Turma do STJ, por decisão unânime — ou seja, todos os ministros concordaram —, reformou a condenação anterior. O entendimento do tribunal foi claro: quando o contrato é desfeito por culpa do profissional e o cliente opta por receber o dinheiro de volta, as obrigações decorrentes daquele contrato se encerram. Não é possível, ao mesmo tempo, desfazer o contrato e exigir que ele ainda seja "cumprido" de outra forma.
Em termos simples, o STJ aplicou um princípio básico do direito contratual: você não pode "ter e comer o bolo ao mesmo tempo". Ao escolher a devolução do dinheiro — o que juridicamente se chama de resolução do contrato —, o paciente abriu mão do direito de exigir a realização de um novo serviço pelos mesmos profissionais.
Isso não significa que o paciente ficou sem proteção. Ele recebeu de volta o valor investido e pode, com esse recurso, buscar outro profissional para realizar o procedimento. O que a lei não permite é o acúmulo das duas medidas ao mesmo tempo, pois isso geraria um enriquecimento sem justa causa.
Situações como essa mostram o quanto as decisões jurídicas podem parecer confusas para quem não está familiarizado com o direito. Cada escolha feita durante um processo pode impactar profundamente o resultado final. Por isso, contar com a orientação de advogados especializados em responsabilidade civil e direito do consumidor é fundamental para garantir que seus direitos sejam exercidos da forma mais estratégica e eficaz possível.
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