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Trabalho em plataformas: nova convenção da OIT é piso global, não CLT mundial

25 de jun. de 2026Tempo de leitura: 2 min

A OIT aprovará uma nova convenção sobre trabalho em plataformas digitais que estabelece um padrão mínimo global de direitos, mas não substitui nem equivale à CLT brasileira.

Nos últimos anos, o trabalho por meio de aplicativos e plataformas digitais — como entregadores, motoristas e prestadores de serviços online — cresceu de forma expressiva no Brasil e no mundo. Diante desse cenário, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), que é o órgão da ONU responsável por estabelecer normas trabalhistas globais, está avançando na criação de uma convenção internacional específica para regular essa nova forma de trabalho. Mas o que isso significa na prática para quem trabalha ou contrata por meio dessas plataformas?

A nova convenção da OIT funciona como um "piso global", ou seja, um conjunto mínimo de direitos que todos os países signatários devem garantir aos trabalhadores de plataformas. Isso inclui proteções básicas como condições de trabalho dignas, transparência no uso de algoritmos que controlam as atividades e algum nível de proteção social. É uma conquista importante no plano internacional, pois reconhece formalmente que essas pessoas são trabalhadoras e merecem proteção — independentemente de como cada país as classifica juridicamente.

No entanto, é fundamental entender que essa convenção não é uma "CLT mundial". A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é a legislação trabalhista brasileira, muito mais completa e protetiva, que garante direitos como férias remuneradas, 13º salário, FGTS, aviso prévio e muito mais. A convenção da OIT representa um patamar mínimo, enquanto a CLT vai muito além disso. No Brasil, o debate sobre se entregadores e motoristas de aplicativo são ou não empregados — e portanto têm direito à CLT — ainda está em aberto nos tribunais e no Congresso Nacional.

Para o trabalhador brasileiro de plataforma, a aprovação dessa convenção é um sinal positivo, pois aumenta a pressão internacional para que o país avance na regulamentação do setor. Porém, na prática, os direitos efetivos dependem do que a legislação brasileira vier a definir. Enquanto isso não acontece, muitos desses trabalhadores seguem sem carteira assinada, sem proteção previdenciária adequada e sem acesso a direitos trabalhistas básicos.

Esse é exatamente o tipo de situação em que conhecer seus direitos faz toda a diferença. Se você trabalha por meio de aplicativos ou plataformas digitais e tem dúvidas sobre sua situação jurídica, ou se você é empresa e precisa entender como se adequar às novas tendências regulatórias, buscar orientação jurídica especializada pode ser o passo mais importante para proteger seus interesses e garantir segurança no trabalho.

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