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Recibo de compra e venda de imóvel vale como justo título para usucapião, decide STJ

25 de abr. de 2026

O Superior Tribunal de Justiça decidiu que um simples recibo de compra e venda de imóvel pode ser usado como 'justo título' em ações de usucapião, facilitando a regularização da propriedade por quem comprou um imóvel de forma informal.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferiu uma decisão muito importante para quem comprou um imóvel por meio de um contrato informal, conhecido popularmente como "contrato de gaveta". O tribunal entendeu que o recibo de compra e venda — aquele documento simples que comprova o pagamento pelo imóvel — pode ser aceito como "justo título" em processos de usucapião. Em termos simples, usucapião é o direito de se tornar dono de um imóvel após ocupá-lo por determinado período de tempo, de forma contínua e pacífica. E o "justo título" é um documento que demonstra que a pessoa tinha uma razão legítima para acreditar que o imóvel era seu.

Essa decisão é especialmente relevante no cenário brasileiro, onde muitas transações imobiliárias acontecem de maneira informal, sem escritura pública registrada em cartório. Milhões de famílias vivem em imóveis adquiridos apenas com recibos ou contratos particulares, sem nunca terem formalizado a transferência da propriedade. Com esse entendimento do STJ, essas pessoas ganham mais segurança para buscar a regularização de seus imóveis por meio da usucapião.

Na prática, o reconhecimento do recibo como justo título pode permitir que o comprador utilize a chamada usucapião ordinária, que exige um prazo menor de posse — geralmente 10 anos — em comparação com outras modalidades que podem exigir prazos de 15 anos ou mais. Isso significa que quem possui um recibo de compra e venda pode ter um caminho mais rápido para obter o reconhecimento formal da propriedade em seu nome.

Se você comprou um imóvel por meio de contrato particular ou recibo e ainda não possui a escritura em seu nome, essa decisão pode representar uma oportunidade concreta de regularizar sua situação. Buscar orientação jurídica especializada em direito imobiliário é fundamental para avaliar o seu caso, reunir a documentação necessária e garantir que seus direitos sejam protegidos da forma mais eficiente possível.