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Acesso indevido a WhatsApp é prova inválida para justa causa

21 de jul. de 2026Tempo de leitura: 2 min

O TST considerou ilícitas as provas obtidas por acesso não autorizado ao WhatsApp de uma funcionária grávida, revertendo sua demissão por justa causa e garantindo a ela o direito à estabilidade gestacional.

O Tribunal Superior do Trabalho (TST), a mais alta corte trabalhista do Brasil, decidiu recentemente que mensagens obtidas por meio de acesso não autorizado ao WhatsApp de uma funcionária não podem ser usadas como prova para demiti-la por justa causa. O caso envolveu uma supervisora de uma microempresa de Guarulhos (SP), que foi dispensada durante a gravidez com base em conversas retiradas do seu aplicativo de mensagens sem a sua permissão. A 1ª Turma do tribunal entendeu que essa forma de obter provas é ilegal e, portanto, não pode produzir efeitos jurídicos contra a trabalhadora.

A justa causa é a forma mais grave de demissão no direito trabalhista brasileiro. Quando aplicada, o empregado perde direitos importantes, como o recebimento do aviso-prévio, do seguro-desemprego e da multa de 40% sobre o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Justamente por isso, a lei exige que a empresa comprove de forma sólida e lícita a falta grave cometida pelo trabalhador. No caso em questão, as mensagens acessadas sem autorização foram o único fundamento apresentado pela empresa, o que tornou a demissão inválida aos olhos da Justiça.

Além da ilicitude da prova, o caso ganhou ainda mais gravidade pelo fato de a trabalhadora estar grávida no momento da dispensa. A legislação brasileira assegura à gestante uma proteção especial chamada estabilidade provisória, que impede a demissão desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. Essa proteção existe independentemente de a empresa saber ou não da gravidez. Com a reversão da justa causa, a supervisora terá direito a receber todos os salários e benefícios referentes a esse período de estabilidade, como se nunca tivesse sido demitida.

A decisão reforça um princípio fundamental do direito: provas obtidas de forma ilegal não podem ser usadas para prejudicar ninguém, seja em processos criminais ou trabalhistas. Isso significa que o fato de um empregador ter acesso ao celular ou às contas digitais de um funcionário não o autoriza a utilizar esse conteúdo como justificativa para uma demissão. Privacidade e proteção de dados são direitos constitucionais, e o ambiente de trabalho não é exceção a essa regra. Se você passou por uma situação semelhante — foi demitido com base em provas obtidas de forma questionável, ou foi dispensado durante a gravidez — é fundamental buscar orientação jurídica especializada para entender seus direitos e agir dentro dos prazos legais.

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