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TST mantém liberação de passaporte de sócia incluída em empresa pelo pai aos cinco anos de idade

17 de mar. de 2026

O Tribunal Superior do Trabalho decidiu manter a liberação do passaporte de uma mulher que havia sido incluída como sócia de uma empresa pelo próprio pai quando tinha apenas cinco anos de idade, reconhecendo que ela pode ter sido vítima de fraude.

O Tribunal Superior do Trabalho (TST), que é a mais alta instância da Justiça do Trabalho no Brasil, manteve uma decisão que determinou a liberação do passaporte de uma mulher que figurava como sócia de uma empresa devedora de direitos trabalhistas. O detalhe mais marcante do caso é que ela foi registrada como sócia da empresa pelo próprio pai quando tinha apenas cinco anos de idade — ou seja, era uma criança e obviamente não tinha qualquer capacidade de tomar decisões empresariais ou assumir responsabilidades societárias.

Na Justiça do Trabalho, quando uma empresa não paga o que deve a seus empregados, os sócios podem ser responsabilizados pessoalmente pelas dívidas. Uma das medidas que o juiz pode adotar para pressionar o pagamento é a apreensão de passaportes. Foi exatamente isso que aconteceu neste caso. Porém, o Tribunal entendeu que a filha pode ter sido vítima de uma possível fraude cometida pelo pai, que a incluiu no quadro societário da empresa quando ela era apenas uma criança, sem que ela tivesse qualquer participação real nos negócios.

Diante dessas circunstâncias, o TST considerou justo manter a liberação do passaporte da mulher, reconhecendo que seria desproporcional penalizá-la por uma situação sobre a qual ela não teve nenhum controle. Esse tipo de decisão reforça que a Justiça analisa cada caso individualmente e busca proteger pessoas que possam ter sido prejudicadas por atos de terceiros, mesmo dentro de relações familiares.

Esse caso ilustra como situações complexas envolvendo sociedades empresariais, dívidas trabalhistas e relações familiares podem impactar diretamente a vida de pessoas que, muitas vezes, nem sabiam que estavam envolvidas. Se você enfrenta alguma situação semelhante ou tem dúvidas sobre responsabilidades como sócio de uma empresa, é fundamental buscar orientação jurídica especializada para garantir a proteção dos seus direitos.